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Como encontrar uma área profissional no digital que dê dinheiro de forma sustentável?

Desde que comecei a trabalhar por conta própria remotamente em 2015 que tento mostrar que encontrar uma área profissional sustentável no digital não é algo reservado apenas a alguns sortudos.

Se sentes que queres criar uma atividade profissional mais independente, o digital é o aliado certo para essa missão.

Contrariamente ao que muitas pessoas pensam, trabalhar no digital não está reservado apenas a crânios da informática. A única coisa que é realmente preciso para começar, se sentires que é o caminho que queres seguir, é estares motivado.

Motivação para desconstruires as crenças limitantes que tens sobre o mercado de trabalho. Motivação para arregaçares as mangas e não teres medo de dizer “não sei” e de ir à procura de ajuda. Motivação para investires (muitas) horas a ler e a aprender novas competências que vão potencializar o valor daquilo que já tens e és.

Neste artigo quero mostrar-te como é que podes encontrar uma área profissional no digital sem precisares de investir rios de dinheiro para começar. Porque afinal, já tens o que é preciso para dar os primeiros passos.

O que te leva a procurar uma nova área profissional no digital?

Conheço bem a fase inicial de um negócio online. De planear e de querer tantas coisas, mas não saber como e o que fazer para lá chegar.

2015 foi o ano em que percebi que a corrida que fazia entre o estágio que não satisfazia, a faculdade que pouco valor me agregava e o trabalho em part- time que servia apenas para pagar as contas estava a encaminhar-me para um abismo – e caramba, eu tinha apenas 24 anos .

Numa noite, lembro-me de me sentar à frente do computador a procurar formas de ganhar dinheiro a partir de casa. Eu só queria ficar em casa. Fiz trabalhos de tradução online mal pagos, trabalhei por menos de 3€ por hora e, no meio dessas pesquisas, percebi que… “espera, tem de haver uma forma de construir uma atividade profissional que seja realmente sustentável e que me deixe feliz”.

Mãos à obra. Sacrifiquei os meus tempos livres para perceber primeiro o que é que eu gostava de fazer, o que é que eu sabia fazer, o que é que eu poderia fazer combinado esses dois fatores e o que é que eu precisava de aprender.

E foi assim que, um ano depois, em 2016, tinha a minha atividade como prestadora de serviços (como freelancer) em Marketing Digital, a trabalhar apenas em português, a trabalhar à distância e que me trazia um salário regular. Tinha conseguido criar uma atividade profissional sustentável no digital sustentável.

Em fevereiro de 2016 decidi criar o Nomadismo Digital Portugal, o site onde estás agora. Senti que havia falta de conteúdo sobre trabalho remoto e empreendedorismo digital escrito em português e adaptado à nossa realidade. Depois de ter aprendido tudo do zero a partir de conteúdos estrangeiros, decidi criar este projeto em português de Portugal – afinal, havia cada vez mais pessoas a procurar por informação que as ajudasse a fazer o mesmo percurso que eu fiz.

Sempre que estou perante alguma dificuldade e que estou quase a mandar tudo ao ar, lembro-me dessa Krystel de 2015, fechada num estúdio de 11m2 em Paris. Isso relembra-te exatamente o porquê de eu ter trabalhado tanto para criar o que criei. E onde é que isto me leva?

Leva-me ao facto de te dizer que acho que é mesmo muito importante não te esqueceres do que te levou a este momento em que estás à procura de uma mudança. Teres um motivo emocional forte por detrás de uma decisão tão importante é o que vai fazer com que não percas a motivação.

Se te ajudar, escreve o que estás a sentir neste momento. Ou fala com alguém sobre isso. Assim, terás sempre um registo do que estás a experienciar hoje. Ao aplicares toda essa motivação e energia que sentes hoje, acredita que vai ser interessante daqui a uns tempos fazeres uma comparação do teu estado de espírito!

A diferença entre uma boa ideia e um bom projeto

Muitas pessoas acham que o passo de encontrar clientes é o mais difícil da jornada de um novo negócio ou projeto online. Todos nós temos ideias, que nos parecem geniais, e achamos que se não resultarem é porque não conseguimos chegar aos clientes e às pessoas certas.

Pessoalmente, acho que o mais difícil é saber o que fazer profissionalmente de forma sustentável. E esta questão da sustentabilidade é uma peça essencial nesta nossa conversa. Segue o meu pensamento.

A paixão (sozinha) não paga contas

Imagina estes dois cenários:

  1. Criaste um projeto que adoras, no qual te sentes bem em trabalhar e para o qual tens as competências certas. Mas, apesar de adorares trabalhar nesse projeto, os clientes que consegues fechar chegam apenas para pagares as contas ao final do mês, e pouco mais. Mas, por outro lado, adoras mesmo o que fazes;
  2. Estás a trabalhar num projeto que te dá muitos clientes; o projeto dá-te dinheiro, mas não está relacionado em nada com uma área que gostas, nem sentes que tens particularmente as competências certas para isso ou que não pões em prática as competências com as quais gostas mais de lidar no teu dia a dia.

Qual é o melhor cenário? Ou melhor… qual o menos mau?

São os dois maus e ambos destinados ao fracasso.

O primeiro pode preencher-te emocionalmente, mas por não ser financeiramente sustentável vai deixar-te frustrado. Não precisamos de ter todos a ambição de ganhar milhões, mas estabilidade financeira é algo essencial para te sentires bem com o que fazes.

A paixão, sozinha, não paga contas. Apenas gostar do que fazes não converte milagrosamente o teu tempo em euros no final do mês.

O segundo caminho pode parecer mais apelativo; afinal, é sustentável financeiramente…. pelo menos, por agora. Porque se estás a investir tempo e recursos a desenvolver um projeto com o qual não te sentes 100% alinhado a nível de interesse e da rotina de trabalho que tens, estás basicamente a replicar a experiência do teu trabalho atual.

Se procuras uma atividade profissional no digital que resolva apenas a questão do dinheiro, procura no Google as inúmeras lista de ideias para ganhar dinheiro online. Até te ajudo com algumas. Criar algo apenas para ganhar dinheiro pode ser interessante para testar o mercado, ou para ganhar um dinheiro extra ao final do mês.

Contudo, se estás à procura de criar uma área profissional que te permita viver e trabalhar dessa forma até tu quereres, tens que ir um pouco mais longe do que as caixinhas do dinheiro ou da paixão.

Lidar com crenças limitantes

A dificuldade em encontrar uma resposta sobre o que fazer profissionalmente no digital está, muitas vezes, ligado com crenças limitantes que temos.

Crescemos a achar que ter um trabalho bom é estar numa “boa” empresa, com um “bom” salário que nos permita ter uma “boa” casa e um “bom” carro.

Durante toda a minha vida cresci com a ideia e convicção que o sucesso se media pelos bens materiais que tinha, porque eles refletiam diretamente o salário que eu ganhava. Esta foi provavelmente uma das maiores crenças limitantes que tive que combater no meu início da jornada da criação do meu negócio online.

Não me entendas mal: gosto de ter conforto financeiro e gosto de ter a possibilidade de poder comprar o que me apetece.

Mas o que me faz feliz é ter tempo para fazer coisas que gosto (viajar, aproveitar para conhecer novos sítios, para aprender novas competências) e ter controlo no meu trabalho e horários.

Outras crenças limitantes que podem fazer parte desta fase inicial de se trabalhar por conta própria são por exemplo:

  • “isto não dá dinheiro”,
  • ”isso é só para os jovens”,
  • ”é preciso entender de computadores”,
  • “ninguém me vai pagar para fazer isto”,
  • “nunca vou conseguir”,
  • “é preciso saber inglês”,
  • etc, etc, etc.

“(…) não precisas de passar por uma dor ou sofrimento insuportáveis para mudares . Existem técnicas que utilizamos no Coaching que nos permitem experimentar “virtualmente” essa dor, impelindo-nos assim a mudar a crença que nos está a limitar.” – Coach Sofia de Assunção

Cria a tua pirâmide de área sustentável

O meu objetivo com o Nomadismo Digital Portugal e com o meu trabalho é levar-te a criar uma área profissional sustentável.

E por área profissional sustentável entenda-se:

  • que seja uma atividade na qual gostes de atuar e de trabalhar,
  • que seja uma área na qual tenhas competências para agregares valor aos teus clientes,
  • e que consigas encontrar soluções a problemas que as pessoas têm e que paguem pela tua ajuda.

A esta combinação de fatores chamo de “Pirâmide de Área Sustentável”:

Pirâmide de Área Sustentável - Nomadismo Digital Portugal

Não te deixes enganar: esta combinação de fatores não é propriamente inventada por mim. Afinal, foi através deste exercício que eu consegui criar a minha atividade profissional em 2015, e sei que é a base para o facto de, tantos anos depois, ainda trabalhar da forma como eu quero.

No entanto, esta ideia é muitas vezes representada em círculos, o que faz muito sentido também. A tua área profissional é a combinação:

  • do que gostas de fazer e das tuas paixões,
  • dos teus conhecimentos e competências,
  • e das necessidades que as pessoas têm.

Acredito, no entanto, que a “minha” pirâmide acaba por ser mais útil numa fase inicial de usar. Ajuda-te a conseguir visualizares os passos a dar para chegares a uma nova área profissional sustentável. Com a visualização por círculos, podes achar que é mais útil começares por identificar necessidades do mercado. Mas eu acredito que os interesses são mesmo a base e identificá-los logo de início facilita, e muito, a descoberta de uma área profissional sustentável.

Interesses: a base de uma área profissional sustentável

Nesse sentido, o primeiro passo para encontrares uma área profissional sustentável passa então por perceberes o que é que gostas de fazer. Uma dica que te deixo é olhares para o teu trabalho atual:

  • Gostas do que fazes?
  • Será que o que te está a deixar infeliz é o trabalho em si ou somente o ambiente e contexto (não gostares da tua equipa, dos teus superiores, perderes demasiado tempo nos transportes, os horários que te pedem para fazer, etc.)?

Faz uma lista dos aspetos que gostas mais e gostas menos de fazer no teu dia de trabalho. Assim saberás exatamente o que é que queres ter num plano ideal de trabalho.

Depois de fazeres esta lista, vem mais uma. Muitas pessoas reviram os olhos quando falo de fazer listas, mas estudos mostram que fazer listas ajuda a alcançar objetivos: e é isso que estás a tentar fazer!

Competências: o que sabes com centro de uma nova área profissional

A segunda camada da pirâmide é dedicada às competências. Faz uma lista do sabes. À medida que, com os meus cursos e workshops, fui ajudando mais pessoas a encontrar uma área profissional no digital, percebi que perdemos tempo apenas a pensar no que nos faz falta. O que já temos e sabemos passa muitas vezes despercebido.

Este é um dos exercícios mais difíceis desta análise. É preciso foco para identificarmos o que sabemos de uma forma totalmente neutra, sem associarmos essa análise a um objetivo concreto – afinal, ainda não sabemos o que queremos fazer profissionalmente.

Outro erro que se comete muitas vezes é o de pensarmos apenas nas competências técnicas, as que colocamos por norma nos CV’s. Mas para criares uma nova área profissional sustentável, tens que ir um pouco mais longe.

Não te foques apenas nas competências técnicas. As chamadas hard skills são as competências que se aprendem e desenvolvem através de aprendizagem “técnica”, com o conhecimento linguistico ou sabes lidar com algum programa, ferramenta ou aplicação. No entanto, as soft skills são as competências mais valiosas e que te vai permitir diferenciares-te no mercado de trabalho.

As soft skills são competências que não são aprendidas na escola e, no entanto, são cada vez mais essenciais para qualquer trabalho. São competências mais comportamentais e humanas, que muitas vezes são menosprezadas durante a formação escolar e académica.

Alguns exemplos de soft skills são:

  • Saber comunicar,
  • Ter à vontade para falar em público,
  • Liderança,
  • Empatia,
  • Habilidade em ensinar e em aprender,
  • etc.

Ao juntares o que gostas de fazer ao que sabes fazer, tenta perceber que serviços podem ser feitos a partir daí. Talvez para fazeres aquilo que gostas, vais precisar de aprender novas competências técnicas – e está tudo bem, não deixes que isso seja uma barreira e motivo de desistência.

Hoje, graças aos blogues, aos canais de YouTube e a várias plataformas de cursos online, podes aprender milhares de competências a partir de casa, nos horários que te dá mais jeito.

Mercado: a peça do puzzle para encontrar uma área profissional sustentável

Como já referi acima, numa altura em que se fala tanto de vivermos as nossas paixões, eu acho que andamos a deixar de lado o tema da sustentabilidade.

Ganhar dinheiro com o que fazemos é importante – se assim não fosse, não haveria tantos de nós a aceitar trabalhos que não gostamos. Precisamos de pagar contas, precisamos de nos sentir seguros e de proporcionar segurança e estabilidade à nossa família.

Encontrares o potencial receptor da tua mensagem é algo essencial e que deves fazer desde o início. Se estás a investir tempo e recursos a criar uma atividade profissional, convém garantires desde já que existe potencial financeiro associado a isso. Se não houver, tudo bem; o que pensaste e imaginaste pode ser um excelente hobby ou, bem explorado, pode ser a base para outro tipo de projeto.

Depois de analisares o que gostas e o que sabes, chegou o momento de olhares para o mercado e identificares problemas. É um grande trabalho de pesquisa!

Eis algumas dicas para iniciares este trabalho de exploração:

  1. Começa por pensar em possíveis problemas ou necessidades relacionados com as tuas áreas de interesse (base da pirâmide);
  2. Faz uma lista de todos os problemas que pensaste e associa-lhes uma potencial solução (que pode ser um serviço, um conteúdo ou um produto);
  3. Olha para essa solução e identifica que tipo de conhecimentos e competências é preciso ter para desenvolvê-la;
  4. Cruza isso com o que tu identificaste nas tuas próprias competências;
  5. Identifica o que já tens para começar;
  6. Avalia se o que não tens é realmente essencial para conseguires dar os primeiros passos na criação dessa solução;
  7. Identifica as pessoas que poderão estar a passar por esse problema e faz uma pesquisa na internet para entenderes se existe realmente procura por soluções para essa necessidade.

Parece simples, mas muitas pessoas ficam sobretudo bloqueadas na parte da identificação das pessoas e na pesquisa de mercado. Este passo é crucial, afinal envolve a questão da validação da ideia. Se não validares a ideia, ou seja se não te provares a ti próprio que a ideia têm potencial financeiro associado, pode não ser uma boa ideia para investires tempo e recursos.

Afinal, lembra-te: a paixão, sozinha, não paga contas. E se estás à procura de mudar de vida profissional, cria uma que preencha tanto o lado emocional, como o lado financeiro.

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